• Parada Literária

Menino de Engenho - José Lins do Rego

Atualizado: Fev 16

Ciclo da Cana de Açúcar – Livro 1: Menino de Engenho (1932)

Romance


José Lins do Rego (1901 – 1957) foi um dos grandes escritores brasileiros do século XX que pertenceu à famigerada geração de 30. Amigo pessoal de Graciliano Ramos e Gilberto Freyre, foi eleito para a ABL em 1955.

Seu romance de estreia (e que estreia!) Menino de Engenho é considerado um marco na literatura brasileira por ser um retrato do Brasil no início do século XX, mais especificamente no Nordeste – com a estabilização dos engenhos de cana de açúcar, o principal meio de subsistência e econômico antes da chegada da industrialização e das grandes usinas.


Com Menino de Engenho José Lins deu início ao que a crítica literária chama de ciclo da cana de açúcar. Narrado como um relato de memórias, conhecemos a vida de Carlinhos que passa a viver no engenho de seu avô, José Paulino, logo após o trágico evento que marca sua vida narrado no primeiro capítulo. A carga dramática deste primeiro capítulo é impressionante! Com habilidade e destreza Zé Lins descortina para o leitor todo o cenário da vida rural do engenho Santa Rosa e arredores. É uma deliciosa viagem no tempo, e no decorrer da leitura sentimos o cheiro da fumaça do engenho, o barulho da moagem, do rugido do gado, e a passagem de Carlinhos da infância à adolescência.


"O engenho estava moendo. Do meu quarto ouvia o barulho da moenda quebrando cana, a gritaria dos cambiteiros, a cantiga dos carros que vinham dos partidos. A fumaça cheirosa do mel entrava-me de janela adentro. O engenho todo na alegria rural da moagem."

Além disso, o romance de estreia de Zé Lins é fundamental na literatura brasileira, pois contribuiu para a definição do regionalismo literário em que, alguns anos antes, outros escritores haviam inserido seus nomes no rol da literatura regionalista nordestina:

- Em 1928, José Américo de Almeida publicou A Bagaceira, considerado o marco inicial da citada estrutura regionalista presente nos romances a partir da década de 30.

- Rachel de Queiroz em 1930 colocou definitivamente seu nome no pateão de escritores brasileiros com a publicação de O Quinze.

A partir de 1933 e nos anos subsequentes, outros cinco romances de José Lins comporiam o universo do ciclo da cana de açúcar, formando o retrato ruralista do Brasil no início do século.


É importante apontar também que Menino de Engenho escancara para nós leitores a realidade brutal instaurada nos engenhos: a separação de senhores brancos da criadagem negra que vivia sob regime do grande senhor de engenho, na figura de José Paulino.


Por fim, escutamos o apito de um trem. É o trem do sertão, que vem buscar Carlinhos. Ele parte para uma nova jornada, mas o Engenho Santa Rosa lhe fica impregnado na alma.


Menino de Engenho é com certeza uma leitura inesquecível e prazerosa, um clássico da Literatura Brasileira que nos leva ao início do século XX sob a pena fabulosa de José Lins do Rego.

A edição que li traz um belíssimo texto de Rachel de Queiroz, além de rica fortuna crítica e biografia do autor. O projeto de leitura do ciclo segue a ordem da narrativa dos eventos, de acordo com o ano de publicação de cada obra, conforme abaixo:

1. Menino de Engenho (1932) 2. Doidinho (1933) 3. Banguê (1934) 4. O moleque Ricardo (1935) 5. Usina (1936) 6. Fogo Morto (1943)


Fonte: REGO, José Lins do, 1901 – 1957. Menino de Engenho/José Lins do Rego; apresentação Ivan Cavalcanti Proença. 110ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2018.

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