• Parada Literária

Entre Barafunda e Bravura – Flávio Fayad

Atualizado: 15 de Ago de 2020

"Um aluno que valoriza as narrativas do passado, sem as quais não haveria caminho para a construção de um futuro onde os erros de desvios não fossem repetidos."

O gênero Fantasia pode ser compreendido como de proveniência estrangeira. Os principais escritores que popularizaram a narrativa épica fantástica que temos hoje, como sabemos, é J.R.R Tolkien com sua extraordinária saga O Senhor dos Anéis (1936-1949), C.S Lewis com As Crônicas de Nárnia (1950-1956), o alemão Michael Ende com sua incrível e maravilhosa A História Sem Fim (1979), além do estrondoso sucesso Harry Potter (1997-2007), de J.K Rowling. Sucesso de venda e de público, esses livros conquistaram milhões de leitores ao redor mundo.


Recentemente, no Brasil, o escritor goiano Flávio Fayad trouxe todo esse mundo para nossas terras e nossa cultura.

Contextualizando

A Fantasia vem se popularizando com o passar dos séculos até se tornar um dos gêneros mais lidos e vendidos atualmente, dentro das vertentes que dela brotaram que são o realismo mágico e a ficção especulativa.

As narrativas fantásticas mais antigas e mais conhecidas até hoje de que se tem notícia datam do século VII-XV. No mundo árabe existe uma forte tradição de contação de histórias, com contos folclóricos passados oralmente por muitas gerações. Desde então, esses contos fantásticos começaram a se popularizar e foram reunidos de maneira esparça ao longo dos séculos, e hoje são conhecidos como As Mil e Uma Noites. Os contos narrados por Scherazade misturam histórias fantásticas e é responsável por uma grande variedade de gêneros como aventura, contos de fadas, terror e ficção científica, influenciando escritores do mundo todo até os dias de hoje. (Leia aqui a resenha de Noites das Mil e Uma Noites, de 1988)


O Folclore

Dentro desse universo é necessário destacar a importante contribuição dos alemães Jacob Grimm (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859), que foram, dentre outras atribuições, importantes folcloristas que disseminaram e registraram as narrativas de contos de fadas na Europa, a partir de 1812. Segundo o Livro da Literatura, “credita-se a eles uma metodologia pioneira na coleta de histórias folclóricas, a qual serve atualmente como base para estudos de folclore.” Antes disso, uma coletânea de contos de folclore foi publicada pelo escritor francês Charles Perrault, em 1697, intitulada Contos de Mamãe Gansa.

A fantasia no outro lado do oceano Atlântico

Em terras tupiniquins esse gênero literário também ganhou adeptos e escritores que colaboraram para sua expansão e disseminação. Nesses termos, é imprescindível destacar o nome do contista Murilo Rubião (1916-1991). No Brasil, Rubião foi o pioneiro no gênero realismo mágico. Para exemplificar, no conto presente na coletânea Os cem melhores contos brasileiros do século, sob o título de “O pirotécnico Zararias”, temos um narrador-defunto (tal qual Brás Cubas) que nos conta divertidamente sua desventura com um grupo de amigos desde que foi morto, e anda por ai como um ser vivo qualquer, arrancando sustos dos que cruzam com ele na rua.


Nesse contexto, Flávio Fayad nos brinda com uma história que mescla fantasia e folclore. Entre Barafunda e Bravura nos conta a aventura de três irmãos: Ulisses, Marcos e Plínio que, após o incidente que cancelou um importante evento na cidade de Vila Poente em que os garotos foram os culpados, o pai Rodolpho Gaspar decidiu mandá-los a uma escola de magia, o Acampamento de Belas Artes Mágicas, para onde vão os estudantes com o objetivo de entrar para a renomada escola Aurum Macaw. Lá eles conhecem um importante membro que fará parte da equipe e com quem desenvolvem profunda amizade: o Levi.

E aí a aventura começa...

Uma história recheada de ensinamentos em que a amizade e a cumplicidade precisam ser cada vez mais fortalecidas para vencerem as dificuldades que aparecem. É impossível não ser tocado por algum trecho e olhar para nossas próprias dificuldades diante da vida.

"...não seja tão duro consigo nem com os seus semelhantes, porque estamos todos perdidos e, no processo, é possível que encontremos algo!"

Durante a leitura da obra, nota-se o estudo preliminar realizado sobre nosso folclore ao deparar-nos com entidades conhecidas como os Curupiras, os Sacis, os Mapinguaris e o não tão conhecido Mboi Tu’i.


Mesmo vindo de terras estrangeiras, a fantasia nas mãos de Fayad ganhou ares brasileiros, com a cultura brasileira e as entidades folclóricas.

É uma aventura que coloca a nós leitores ávidos para se chegar ao desfecho dos acontecimentos.

Deixo abaixo uma mensagem do escritor Flávio Fayad falando de sua obra.

Boa leitura!


Referências:

O livro da literatura/organização James Canton...[et al.]; tradução Camile Mendrot [et al]. 1ed. São Paulo: Globo, 2016.

Os melhores contos da América Latina/ organizador Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Agir, 2008.

MARICONI, Italo. Os cem melhores contos brasileiros do século/ Italo Mariconi, organização, introdução e referências bibliográficas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

TOLKIEN, J.R.R. O senhor dos anéis: primeira parte: a sociedade do anel/J.R.R Tolkien: tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves, Almiro Pisetta. 2ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

LEWIS, C.S. As crônicas de Nárnia/C.S Lewis; tradução Silêda Steuernagel e Paulo Mendes Campos. 2ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

ENDE, Michael. A história sem fim/Michael Ende; tradução Maria do Carmo Cary; revisão e texto final João Azenha Júnior. 10ed. São Paulo: Martins Fontes, 2016.

ROWLING, J.K. Harry Potter e a pedra filosofal/J.K Rowling; ilustração Olly Moss; tradução de Lia Wyler. 1ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.

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