• Parada Literária

Ciclo da Cana de Açúcar - José Lins do Rego

Atualizado: Fev 16

De 1932 a 1943.



José Lins do Rego (1901-1957) foi escritor nordestino nascido na Paraíba, no engenho do Corredor, município do Pilar. Levou para sua literatura toda a vida rural dos engenhos e tratou de assuntos emergentes de sua época.

Ainda no ano de seu nascimento ficou orfão da mãe, Amélia, e seu pai João do Rego Cavalcanti foi viver longe dali, em outro engenho. Sua mãe, antes de morrer, pedira que o filho não fosse criado com seu pai, e José Lins foi viver no engenho do avô, aos cuidados de sua tia Maria.


Começou assim a trajetória existencial do menino de engenho, dividido entre os cuidados de tia Maria e as experiências mais cortantes com os primos e moleques livres do engenho. O centro desse mundo patriarcal – e que marcou parte da personalidade de Zé Lins – foi seu avô.

Foi amigo pessoal de importantes figuras literárias da época como Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre (Casa-Grande e Senzala), a famigerada geração de 30 da qual fazem parte também outros escritores. Em 1950 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e faleceu em 1957.


Além de seus romances ambientados no Nordeste, o escritor paraibano tentou fugir da paisagem nordestina em seus livros Água-mãe, Riacho Doce e Eurídice. Segundo o poeta Manuel Bandeira, essa tentativa de fuga não deu certo. Para Bandeira, José Lins “era um motor que só funcionava bem queimando bagaço de cana.”

Ciclo da Cana de Açúcar: com Menino de Engenho, Doidinho, Banguê, O Moleque Ricardo, Usina e Fogo Morto. As três primeiras narrativas estão centradas na personagem Carlos de Melo e apresentam grande unidade. Já O moleque Ricardo e Usina são expansão desse núcleo inicial. O Moleque Ricardo pode ser considerado um romance de realismo social, afastando-se de coordenadas naturalistas das narrativas anteriores. Fogo Morto, a obra-prima do escritor, é um romance síntese não apenas do ciclo da cana de açúcar, mas da própria temática da decadência que percorre os romances de José Lins do Rego.


Além do ciclo da cana de açúcar, Zé Lins criou também o ciclo do cangaço, composto por Cangaceiros e Pedra Bonita.

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